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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Minha vida... Minha história... Parte 3

O ano de 2004 eu passei em casa. Cidade nova, amigos novos, não conhecia nada e nem ninguém. Em maio de 2004 descobri que havia uma Fatec bem perto da minha casa e que eles ofereciam 3 cursos de graduação gratuitos com duração de 3 anos. Tinha Logística, Informática e Processamento de Dados. Resolvi prestar vestibular, mas achava que estava muito enferrujada. Afinal, eram 22 anos sem estudar nada que não fosse ligado à Língua Portuguesa! Perdi a inscrição do meio do ano, mas não abandonei a ideia.
Em novembro de 2004 eu conheci meu (hoje) amigo Mário Nogueira Neto. Ele era coordenador do curso de logística da Fatec e era amigo do meu marido. Era (e ainda é) professor da Fei junto com o Álvaro. O Mário me deu um baita incentivo e disse que achava que eu conseguiria sim passar no vestibular. Me inscrevi, mas estava totalmente descrente. Achava que jamais conseguiria entrar... Erro meu. Passei em 2º lugar! Quem diria!



Foi uma das mais acertadas decisões que tomei em minha vida! Nunca fiz tantos amigos e nunca pude estudar dessa forma tão compenetrada, pois nos meus cursos anteriores, por ter de trabalhar muito, não podia me dedicar como queria.

Estudei muito e minha nota mais baixa, no curso todo, foi um ou dois 8,5. Muitos 10!!! Meu histórico escolar exibe a marca de 34 notas 10. Jamais pensaria conseguir isso! Foi uma vitória para mim, que sempre me achei burra... Adorei fazer logística e adorei conhecer tanta gente legal entre os alunos e os professores.

Entrei em 2005 e em 2007 eu terminei. O ano de 2007 foi meio complicado, tive algumas pequenas doenças que duraram de maio até novembro... é... Primeiro tive uma infecção urinária. Em seguida, quando estava melhor, tive uma gastrointerocolite tóxica. É uma infecção muito séria no estômago, intestino grosso e intestino delgado. Uma doença grave que chega a levar ao óbito. Foi causada por algum alimento que comi.
Bem, quando eu estava quase boa, foi mais de 2 meses de dieta, proibições, etc., marquei hora no dentista e fui. Sabe aqueles sapatos CROC? Aqueles que causaram um monte de acidentes aqui e no Japão? Pois é, eu estava usando um daqueles. A sola é tão firme que ela adere ao chão de tal maneira que quando você anda seu corpo vai, mas seus pés ficam. Numa dessas eu caí de frente, apoiada nos 2 braços em posição de flexão. Quebrei os 2 cotovelos! Fui de resgate pro Pronto Socorro. Cheguei lá e como não sou dada a escândalos, não estava nem gritando, nem chorando. Estava até muito calma. Tão calma que acharam que eu nem tinha quebrado nada. O médico nem quis tirar o Raio X do meu braço esquerdo. Só tirou do direito porque disse que o esquerdo não tinha nada. 

Fui pra casa Deus sabe como, Não conseguia nem abrir minha bolsa. Me colocaram em um táxi e segui pra casa. Minha prima Leonora morava comigo nessa época, então eu liguei pra ela. O problema é que nem conseguia pegar o telefone e levar ao ouvido. Tive que falar no viva voz. Nossa! Ela ficou muito assustada. Apesar de eu ter ligado e falado calmamente. Ela me ajudou a sair do carro e me trouxe pra casa.

No dia seguinte fui a um médico particular que explicou que em alguns casos a fratura só aparece depois de uns dias. Pediu pra eu voltar dali 1 semana pra tirar radiografia do outro braço. Era véspera de feriado de 7 de setembro. Ele me engessou apesar de eu dizer que era alérgica a gesso... tem mais essa. Depois de 2 dias eu não aguentava mais de tanta coceira no braço. Fui até o médico e a enfermeira tirou meu gesso.

Estava com o braço todo cheio de bolotas. Então comprei um daqueles imobilizadores de lona. Muito mais confortável e higiênico!

Depois de uma semana voltei pra radiografar o braço esquerdo. Foi quando descobri que ele também estava quebrado. Eu quebrara os 2 cotovelos em uma só queda! Que sorte!

Então, tiramos o imobilizador do direito e passamos pro esquerdo. Mas ambos ficavam na tipoia! Uma piada. Terminando a faculdade, fazendo parte da comissão de formatura e com os 2 cotovelos quebrados. Mas em novembro tive alta...

O final de ano foi sossegado e eu agora só conseguia pensar na formatura que seria no dia 07 de março de 2008.

Em dezembro fizemos uma pequena viagem de 3 dias de navio. Que sonho! Uma delícia! Fomos no Grand Voyager. Apesar de terem sido apenas 3 dias, nos divertimos muito. Fomos eu, o Álvaro, minha sogra e a Leo. Ficamos na piscina, jogamos no cassino (ganhei uma boa grana), fizemos compras na loja que é uma espécie de free shop, descansamos, comemos e bebemos muito! Foi nota 10.

O ano letivo iniciou e como eu havia escrito o Manual de Formatação de Trabalhos Acadêmicos em parceria com uma professora da Fatec, o Mário, aquele meu amigo que me falou pra prestar o vestibular, me convidou pra dar umas palestras pras turmas de sexto ciclo sobre formatação, pois os trabalhos estavam sofríveis.

Desenvolvi umas aulas e comecei com as orientações. Os alunos são tão carentes de conhecimento que ficaram felizes (nem sempre todos, claro), comecei a atendê-los e ensiná-los como fazer trabalho de conclusão; estava feliz, apesar de estar fazendo um trabalho totalmente voluntário. Era o que que sempre quis. Um trabalho com alunos de uma escola do Estado. Ministrei palestras aos alunos e comecei a orientá-los. Trabalho que faço até hoje em conjunto com o professor Mário.

No dia 06/03 foi minha colação de grau e eu fui a oradora. Foi um dia muito emocionante pra todos nós. Eu fiz amigos e tanto na Fatec e ficaria uma saudade imensa! Eram como meus filhos, afinal eram muito mais jovens que eu e tinham um carinho e respeito por mim fenomenais!

Quando cheguei da Colação recebi uma notícia nada agradável. A minha tia Maria José, irmã da minha mãe e minha madrinha de crisma, havia falecido e eu nem poderia ir ao enterro. Sou muito ligada à família dela. Minha prima Sandra, sua filha, é como uma irmã pra mim. Fiquei muito triste... Tia Maria foi uma figura extremamente importante na minha vida. Muita convivência desde pequena, muitas viagens juntas, muita intimidade. Era como minha segunda mãe.

Dia 07 era o Baile. naquela tarde recebi uma grande notícia... fui dispensada da revista pra qual eu fizera revisão durante 3 anos. Não contei pra ninguém, só pro Álvaro. A casa estava cheia de parentes e amigos, não queria estragar a festa de ninguém mais. Agora estava sem emprego e cheia de dívidas da formatura pra pagar! Legal!!! Mas não foi a primeira vez e nem a última. Eu sempre me viro.


O Baile foi maravilhoso! Tudo perfeito. Mandei fazer meu vestido no Atelier da Maria do Céu. Custou uma pequena fortuna, mas como não tive vestido de noiva e nem de debutante, queria o vestido dos meus sonhos! E tive! Ficou lindo! Era vermelho e bordado com 600 cristais Swarovski.

No dia seguinte fomos à casa de amigos em um churrasco e eles nos convidaram pra irmos na casa deles em São Pedro na Páscoa, pois havia muito tempo que não íamos lá. 

Chegou a quinta-feira santa e fomos. para falar a verdade eu não estava querendo ir, já estava indisposta, com uma dor de cabeça que estava começando a me pegar. Quando saímos de casa a dor já estava bem forte, mas achei que no dia seguinte estaria melhor. Mas que nada! A dor aumentou muito e passei quinta, sexta e sábado na cama com com muita dor, moleza... achei que fosse deng. Depois descobri que era uma virose que pegou um monte de gente conhecida! Eu nunca tomei tanta Neosaldina e Chophytol juntos! 

No domingo amanheci bem. Sem dor. Feliz! Fui pra piscina, me diverti à beça. Resolvemos que iríamos embora só à noite. Então o Álvaro foi descansar e eu fui tomar banho já no fim da tarde, início da noite. Entrei distraída no banheiro, pensando nas coisas que eu tinha que arrumar, recolher, etc. Esqueci que o chão do box era escorregadio e caí. O box é estreito e comprido, caí de pernas abertas, abrindo um grande espacate. Com este corpinho de bailarina que tenho dá pra imaginar... Fiquei uns minutos sentada e daí tentei levantar. Foi aí que eu despenquei e minha perna retorceu toda. Comecei a gritar muito. Mais de desespero de ver a perna daquele jeito do que de dor. 

Vieram todos, mas a porta estava trancada e tiveram de arrombar. Meu amigo Kai, oriental sábio e calmo, colocou minha perna no lugar, ou seja, destorceu ela... a sangue frio mesmo! 

Bem, pronto-socorro. Again! Não conseguia ficar em pé. Me colocaram no carro, fui pulando que nem saci-pererê! Pronto-socorro de cidade pequena. Me deram uma injeção e disseram pra eu ficar 3 dias sem colocar o pé no chão. Que depois poderia andar normalmente. Nem tiraram radiografia. 

Chegando em Santos fui a um especialista. Já fazia 3 dias e eu fui de bengala, mas andando... Quando entrei na sala do médico minha perna despencou novamente e eu caí muito feio! Doeu, viu? Muuuito! Gritei! Dessa vez gritei muito. O que deixou o Álvaro apavorado, pois se eu grito é porque tá doendo muito mesmo! Minha perna tornou a ficar retorcida como da primeira vez e o médico colocou no lugar e me encaminhou a um especialista em joelho. 

Resumo da ópera: Fiz ressonância magnética e naquele segundo tombo, além de agravar o rompimento dos ligamentos do joelho, quebrei a perna também. hahaha. Só rindo. Mas com certeza Deus sabe o que faz...

Rompi o ligamento cruzado do joelho esquerdo e o tendão interno (que não sei como chama - é esse aí da figura à direita). Ele é o responsável por manter-nos em pé. Ele liga e conecta a parte de baixo com a parte de cima da perna. Sem ele a gente despenca, pois uma parte não para sobre a outra. Por isso eu despencava.

Bem, agora eu teria que imobilizar pra arrumar a perna quebrada e pra eu poder operar. Isso foi no final de março. Minha cirurgia foi marcada pro dia 03/05/2008. Esse tempo todo eu não podia colocar o pé no chão, de jeito nenhum. Banho só de paninho e banheiro sempre com ajuda. Passava a maior parte do tempo deitada, pois não podia dobrar a perna.

A cadeira de rodas não passava no corredor, então montamos uma operação de guerra com cama na sala e cadeira de escritório (com rodinhas) pra poder levar ao banheiro. Para me locomover, ia de cadeira de rodas até onde ela passava e então trasladava para a cadeira de escritório pra poder chegar no interior do banheiro ou pra sair na cozinha e no corredor de serviço do meu prédio. No elevador eu descia de cadeira de rodas.

Graças a Deus a Leo (aquela santa que já havia cuidado de mim quando quebrei os dois cotovelos) ainda estava aqui e se não fosse ela eu não sei o que teria sido de mim, porque o Álvaro tinha que trabalhar, né? Ela foi um anjo. Me levava ao banheiro, me dava de comer, lavava meus cabelos. Uma filha que Deus não deu do meu ventre, mas me deu da alma! Aliás, em todos os percalços de 2007 a Leo que sempre cuidou de mim. Me dava banho e secava minhas "dobrinhas". hahaha...

Operei. Nunca senti tanta dor na minha vida! Foram dias terríveis. Muito medicamento e nada de sair da cama. Agora nem poderia ir ao banheiro. Tinha que usar fralda! Terrível demais! Mas aceitei meu destino e agradeci a Deus por estar viva e não ter tido uma sequela pior daquele tombo. Rezei muito. Mas sobretudo pra agradecer e pedir paciência. Fui atendida. Foram quase 6 meses de cama. Quatro meses sem me mexer. Depois comecei a andar com andador, depois com bengala. 

Quando pude levantar pela primeira vez, demorei uma semana me preparando pra pegar o andador e sair da cama. Ainda estava muito traumatizada e tinha medo de tudo. Quando tomei meu primeiro banho fiquei mais de uma hora só deixando a água cair sobre mim e chorando de emoção. Foi mágico poder entrar no banheiro para tomar banho. Não sabia o que era isso fazia 6 meses. Ainda hoje tomo banho sentada porque tenho muito medo e quando tenho que tomar banho em pé em hotel ou casa de alguém, me sinto muito insegura. Isso porque já faz 4 anos que operei. Quando fui à cozinha e peguei meu primeiro copo de água sozinha percebi o valor de coisas tão corriqueiras e pequenas. 

Bem, Por conta do acidente, parei de ir à Fatec pra dar as palestras, mas recebia os alunos aqui em casa, na cama, com meu lap top na barriga, deitada e eles em volta de mim. Era uma piada! Revisei e ajudei mais de 20 alunos com seus TCCs naquele semestre.

Na formatura deles, em agosto, de bengala, fui convidada, gentilmente, a fazer parte da mesa solene. Uma honra! Recebi uma homenagem e fiquei muito emocionada!

No segundo semestre eu comecei novamente a ir dar as palestras, mas como eu não era professora da Fatec e não ganhava nada por aquilo, fui gentilmente convidada a parar de ir... O diretor da unidade naquela época me detestava e não escondia isso de ninguém, muito menos de mim. Eu havia feito campanha para colocá-lo em seu cargo na época das eleições, mas quando ele assumiu me decepcionei muito e fui a primeira a reclamar. Do mesmo modo que fiz campanha a favor, fiz também contra e ele aceitou de forma nada esportiva. Foi quando mandei um e-mail para ouvidoria do Centro Paula Souza que ele azedou de vez comigo. Cheguei a saber, tempos depois, que ele pedia para os coordenadores ficarem de plantão pra verem se eu ia aos sábados e que proibissem minha entrada na unidade. Como sempre tive a língua muito solta e um temperamento nada fofo, eles nunca se meteram comigo. Mesmo porque eu tinha um bom relacionamento com todos e isso não faria o menor sentido. Sem problemas, não queria arrumar encrenca para o Álvaro que dava aulas na unidade e que também sofria perseguições na época; desta forma passei a orientar os alunos na minha casa mesmo. A casa é minha e ninguém poderia me proibir de fazer o trabalho que gosto aqui! Recebi muitos alunos e fiz um trabalho maravilhoso com eles, trabalho que faço desde 2007 até hoje, totalmente voluntário! Aluno só precisa de alguém que ensine e isso eu sei fazer como poucos, modéstia à parte! Os professores elogiaram muito a evolução dos trabalhos, o que é uma honra pra mim. 

Fiquei de bengala por mais de um ano e ainda hoje, quando vou a algum lugar que não conheço bem eu a uso, porém, sinto-me outra pessoa em todos os sentidos. 

Passei a ver a vida com outros olhos e entender como é divino poder locomover-se, tomar banho sozinha, lavar sua cabeça, pegar um copo de água na cozinha, sentar à mesa pra uma refeição...

As coisas ficam tão pequenas diante de tantas atrocidades e infelicidades pelo mundo afora, que a gente tem que aprender que tudo é muito pequeno, muito mesquinho! Ficar sem falar com um amigo ou um parente por uma bobagem... Nossa! A vida pode terminar em segundos e você não ter tempo pra viver com quem ama! De dizer que ama! Só de olhar da minha varanda e ver este milagre todos os dias já me faz muito feliz!

Essa coisa de "Fulano não me liga, também não vou ligar", "Fulano não vem aqui, também não vou lá", "Fulano nunca me procurou, também não vou procurá-lo". Mas quem foi que inventou essa regra ridícula de que é o outro que tem que tomar a iniciativa. Por que não nós??? As pessoas são diferentes umas das outras. Umas são mais retraídas, outras mais atiradas. Umas são mais atarefadas, outras menos. Ou até têm muito o que fazer, mas administram melhor seu tempo, sei lá!


O que eu aprendi com tudo isso?

hahaha!

Tanto! Aprendi, sobretudo, que hoje é agora e que amanhã sei lá! Aprendi a dizer o que sinto, aprendi a dizer "desculpa, eu estava errada", aprendi... aprendi a tentar sentir o que o outro sente, aprendi a tentar ver o outro lado de todas as histórias, inclusive aquelas em que eu estou no meio. 

Não, não sou santa! Não sou magnânima! Sou humana e tento hoje sempre fazer melhor que ontem e pior que amanhã... 

É difícil se colocar no lugar do outro? Sim, é muito difícil. Mas é um exercício que a gente aprende, como os exercícios físicos, os exercícios de matemática, de física... às vezes o resultado dá redondo, às vezes não. Às vezes nem dá resultado nenhum, porque não tem! 

Mas às vezes a gente resolve um porque nem sabia que ele não tinha solução. Sabe, na Pesquisa Operacional tem um troço difícil pra caramba, um algorítmo chamado Simplex. O cara que descobriu o método de solução chamava-se Agner Krarup Erlang, era um aluno como eu, como você. Naquele dia ele chegou atrasado à aula e copiou o problema que estava na lousa. Só que ele tinha perdido que o professor havia dito que aquele era um exemplo de um problema que não tinha solução. Ele não sabia disso. Então ele levou o problema pra casa, sem saber que não tinha solução e resolveu! Ele foi o Pai da Pesquisa Operacional! A Teoria das Filas é dele também! Se seu banco tem aquele sistema de fila única, agradeça a ele! hahaha. Ele também foi o primeiro a estudar o problema nas redes de telefonia. Acho que este não deu muito certo ainda! 

Eu sou assim: procuro meus amigos quando tenho saudade, procuro minha família quando sinto falta do calor do sangue. Se eles não me procuram não tem problema. Eu faço o que meu coração pede e aprendi a não contrariá-lo! 

A gente tem que dar um passo por vez e às vezes é preciso fazer como no xadrez ou em qualquer jogo. Um joga, depois é a vez do outro. Se o outro não tem carta, ele passa e a gente joga novamente. Só que neste jogo não tem vencedor. Tudo é aprendizado! 

Eu tenho uns primos, filhos de uma irmã de minha mãe que morreu quando eu tinha 2 anos, que eu não via há mais de 20 anos. Tivemos um reencontro lindo e emocionante demais em janeiro de 2009. Eu os procurei. Não sabia por onde andavam, nem onde moravam direito! Era parte de um desejo da minha mãe. Fiquei muito feliz por ter tomado esta iniciativa! 

Hoje temos muita amizade e nos vemos regularmente. Eles vêm pra Santos sempre e eu vou lá em Santa Rita nas férias. Sou muito amiga de todos e nos divertimos muito sempre. 

Em novembro de 2011 meu pai se foi, aumentando um pouco mis o buraco que já existia em meu coração. Foi um final de vida traumático e sofrido... Deus sabe o que faz, certamente! 

Hoje trabalho na Fatec como professora, iniciarei meu mestrado este ano, mas continuarei a ajudar os alunos do sexto ciclo inteiramente de graça! Eu gosto, aliás, eu amo o que faço e fico feliz por ter algo de que posso dispor pra contribuir para o crescimento e evolução de alguém! 

Eu já tive vários pesos diferentes e sabe o que eu acho, de verdade? O que vale mesmo é o que vai dentro da alma, do coração. O que vale é como você se sente, não como querem que você se sinta! Muitas vezes eu percebo que minha obesidade incomoda muito mais aos outros do que a mim mesma. Eu tenho uma vida sossegada, faço tudo o que quero, visto o que quero, amo muito e sou muito amada... Porque temos que modificar a casca do abacaxi? De certo há um motivo pra ele ser como é! E é claro que existem abacaxis doces e azedos, assim como seres humanos. Se o plantio for feito em local ensolarado e fértil, com certeza o abacaxi será muito doce! 

Foto tirada por um amigo em uma "Festa do Pijama". Não me visto sempre assim. kkkk

A obesidade não me atrapalha em nada. Sou uma mulher plenamente feliz e realizada. Amo e sou muito amada por todos à minha volta. Tenho um relacionamento maravilhoso com meus alunos e sou homenageada por eles na formatura há 4 semestres, consecutivamente. Isso é resultado de um trabalho sério e apaixonado. Não precisamos ser magras, esbeltas ou modelos Plus Size pra sermos plenamente satisfeitas. 

A vida nos dá tudo que precisamos pra viver, basta saber onde encontrar e como retirar o melhor que ela tem!

É isso aí!

Gisele Esteves Prado

Minha Vida... Minha história... Parte 2


Em 2001 eu resolvi mudar de vida. Mais uma vez! Resolvi abrir uma loja de produtos esotéricos em um minishopping popular que era de uma amiga minha e sua família A loja chamava-se Caldeirão Mágico e eu vendia produtos esotéricos, roupas indianas, bijouterias, presentes, entre outros produtos...
Nesse ano de 2001 eu consegui manter meu peso. Almoçava direitinho, tinha uma vida regrada. 
Logo depois, abrimos uma loja de brinquedos chamada Cantinho Mágico no mesmo shopping. Foi bom enquanto durou! 
Loja Caldeirão Mágico

Nesse mesmo ano, mais uma... Em final maio eu tive uma crise do ciático - herança familiar. Estava um pouco dolorida, andava com aquela dificuldade.

Fui com minha amiga a um aniversário. Como estava de carona, entrei no banco de trás do carro e fui "de bunda" até o canto do banco, na janela oposta. Senti um estralo na minha lombar, doeu um pouco, mas fui pra casa, tomei um voltaren e fui pra cama.

No dia seguinte, quando tentei levantar da cama, não consegui ficar em pé. Uma dor horrível e eu não conseguia me esticar. Gritei por ajuda, meu marido veio e me levou até o nosso quarto de TV. Chamamos a massagista que nos atendia na época, mas nada adiantava. Fiz massagem diariamente por uma semana, não melhorava. Se eu sentava minha perna esquerda começava a latejar, parecia que ia explodir! 

Só ficava bem deitada ou no banho, com água quente na minha lombar. Comia deitada e tomava uns 7 banhos por dia. Era o que me aliviava. Nunca fiquei tão limpinha... hahaha

Fiquei de cama uns 15 dias, sem melhora e meu marido me levou ao ortopedista. Ele radiografou e disse que eu havia "estirado" o ligamento dalombar. Mandou eu tomar uma injeção fortíssima, que só pode tomar 1 por mês de tão forte que é, e disse que isso tiraria toda a minha dor.

Pois sim, fiquei quase uns 15 minutos sem dor... Logo voltou a doer. Minha mãe me ajudava muito. Era ela que me vestia, que me dava comida e me fazia companhia.

Já havia passado mais de um mês e nada de melhorar. Na véspera do feriado de 9 de julho a minha amiga e hoje comadre Márcia, na foto, indignada com minha situação resolveu me levar a um acupunturista. Um chinês chamado Abe. Fui com ela de carro, um trânsito pela cidade - véspera de feriado - fui deitada no banco e gritando quando passava nos buracos.

O acupunturista me colocou em uma maca e mediu meu corpo apalpando com as mãos. Logo veio o diagnóstico: Ele disse que eu havia deslocado meu fêmur e que o mesmo estava sobre meu nervo ciático fazendo pressão.

Como ele sabia disso sem tirar uma radiografia? Sei lá! A essa altura eu queria era resultado!!! 

Ele me deitou de lado, subiu na maca, ficou em pé, pediu pra Márcia me segurar e me chutou com vontade mesmo na bunda. Chutou muitas vezes. Doeu pra ca... ramba! Senti o mesmo estralo que sentira no carro da minha amiga no dia que desloquei. 

Ele disse que eu ainda ficaria dolorida por uns dias. Na mesma hora eu já consegui sentar e voltei pra casa sentada normalmente no carro da minha amiga. À noite já fiz minha refeição sentada à mesa com minha família.

Mais um milagre que me contemplou pela vida! 

O Abe me explicou que as mulheres brasileiras têm pernas mais longas e que nunca deveriam andar de bunda no banco do carro. Isso poderia acontecer a qualquer um...

Estava tudo indo bem, no final de 2002 eu estava começando a emagrecer novamente, mas com muita dificuldade. Foi quando a Dra. Marisa sugeriu que eu deveria fazer a operação do estômago. Fiquei indignada! Achei um absurdo. Imagina! Eu nunca faria algo tão radical e invasivo!

Mas... nunca é muito tempo!

Em 2002 as coisas caíram um pouco na loja, foram ficando difíceis. Em dezembro de 2002 minha mãe saudosa e querida infelizmente se foi e eu perdi meu chão! Morreu assim, do nada! Saiu pela manhã com meu pai pra fazer compras e quando voltou, caiu morta no meio da sala. Perdi meu rumo... 

Resolvi então fechar as lojas que já não iam nada bem. Na foto ao lado eu e minha mãe em mais um momento feliz: Meu casamento. O bolo foi ela que fez! 

O ano de 2003 foi muito complicado. Tamanho foi meu baque que engordei 25 quilos em um ano. Durante um ano meu pai morou comigo. Por volta de outubro ou novembro de 2003, já farta de tudo e de todos, resolvi que tinha que sair de São Paulo. Aquilo estava me sufocando e eu não conseguia mais ver graça em nada sem minha mãe, pois ela era minha grande companheira pra tudo! 

Eu tive uma infinidade de momentos felizes com meus pais. Aproveitei muito a companhia da minha mãe. Íamos juntas pra todo lado, viajávamos juntas, foi uma vida bastante divertida, mas tenho uma dor em meu peito, lá no fundo, quando lembro dela. Ainda dói muito a saudade e às vezes choro quietinha no meu quarto... 

Foi quando surgiu a oportunidade de nos mudarmos pra Santos, pois o homem que era proprietário da casa que eu morava em SP, na Mooca, Sr. Sílvio, possuía uma apartamento em Santos e queria vendê-lo. Nos ofereceu, mas não tínhamos grana pra comprar. Fiz então a proposta de alugar.

Ele topou e nos mudamos pra Santos no dia 12/12/2003. Quando vi esta vista da minha varanda, não tive dúvidas! 

Já nessa época, assustada com o fato de ter engordado 25 quilos em uma ano, resolvi, depois de muita apurrinhação na minha ideia, fazer a tal cirurgia de redução do estômago.

Em agosto de 2003 eu encontrei a Thaís Delboni. Grande amiga e ex-terapeuta do Álvaro. Ela era obesa. Quase com o eu. Quando eu a encontrei, quase não a reconheci. Estava linda, magra, elegante, feliz. Uma outra pessoa. Então ela me incentivou a procurar pelo médico que fez a cirurgia dela. Um médico da equipe do Dr. Arthur Garrido, o Dr. Luiz Vicente Berti. Ela estava tão feliz, me falou tão bem de tudo que ela estava sentindo, que eu me senti motivada. 

Eu já vinha pesquisando sobre o assunto, lendo, me informando. Liguei pro consultório e marquei minha consulta pro dia 13 de outubro. Fui, ele me explicou o que era realmente ser obesa, me falou de todos os riscos da cirurgia, dos pontos positivos e negativos. Mandou-me fazer uns 40 exames. Fui fazendo todos, devagar. Estava arrumando as coisas pra me mudar pra Santos. 

Quanto aos risco, bem, eu li muito, pesquisei sobre o problema da obesidade. Esta é uma preocupação mundial. Mais de 30% da população do mundo é obesa. Pensei: "corro mais riscos sendo obesa do que em uma mesa de cirurgia..." Talvez eu estivesse enganada... 

Dia 12 de dezembro eu mudei pra cá. Acabei de fazer meus exames e voltei ao médico. Então foi tudo muito rápido. A médica que me atendeu marcou minha cirurgia pra 29/03. Faltavam 2 meses, eu achei que estava loooonge... Nem bem pisquei os olhos e pronto: chegou! 

No primeiro mês eu teria que fazer uma dieta só de líquidos, para que os pontos internos não cedessem. Depois de 1 mês passaria a comer normalmente, aos poucos. 

Estava com muito medo e não tinha certeza do que estava fazendo. No dia que fui internada eu senti uma coisa muito estranha, um misto de medo, preocupação e intuição de que algo daria errado. 

Já na maca, pra ir pra sala de cirurgia comecei a chorar e disse pro Álvaro que não queria mais fazer a cirurgia. algo dizia que não daria certo. Ele disse que era bobagem minha... me abraçou e eu fui... 

Me internei na segunda-feira (29/03/2004), subi pra sala de cirurgia às 15 horas, e algum tempo depois (não sei quanto, pois estava inconsciente), o médico chamou o Álvaro no Centro Cirúrgico. 

Acontece que quando ele abriu pra começar a cirurgia, ele localizou (com os olhos de Deus), um cisto no meu ovário que pesava 2,5 kg e tinha o tamanho de uma bola de futebol. Era um cisto muito grande e com muito líquido. Ele possuía 4 cavernas: duas com líquido mais claro e 2 com líquido mais escuro. Foi esse líquido escuro que preocupou muito os médicos. Poderia romper-se a qualquer momento. Aí seria fatal.

Pela aparência horrorosa do cisto (palavras dos médicos), eles acharam que fosse maligno. Fizeram uma primeira biópsia do tecido que deu negativo. Porém, ainda havia uma segunda biópsia a ser feita: a do líquido. Ainda havia uma possibilidade grande de ser maligno. O resultado só ficaria pronto em 10 dias e eu não fazia a menor ideia que ainda poderia estar com um tumor maligno. O Álvaro me poupou pra que minha recuperação não ficasse comprometida. 

Depois de 10 dias da cirurgia estivemos no médico e pegamos o resultado do tal exame: NEGATIVO!!! Graças a Deus, mais uma vez, estava livre de uma doença séria. 

Vocês devem estar se perguntando como ninguém nunca tinha visto tal cisto antes. Mas é que a parte visível dele, que apareceu no ultrassom, tinha 6 cm. Um tamanho que com tratamento ginecológico se resolve. Acontece que ele cresceu para dentro. Ficou escondido. Eu não sentia dores e minha menstruação sempre foi normal. 

Bem, voltando ao dia da cirurgia, o médico chamou o Álvaro para comunicá-lo e para perguntar se ele queria que continuasse e fizesse a cirurgia de redução do estômago. Mas ele mesmo disse que não seria recomendável, pois a anestesia poderia não durar tanto e a minha resistência cairia muito. Além do que, se o tumor fosse maligno, eu não resistiria a um tratamento de câncer com um estômago reduzido, assim foi o que o Dr. Luiz Vicente disse ao Álvaro. Claro que o Álvaro optou por não fazer a redução no meu estômago.

Deus encaminha a gente das formas mais estranhas, não é? Hoje eu tenho a certeza de que fui encaminhada, pelas mãos de Deus, para aquele hospital no dia 29/03. O dia do meu renascimento.

Não me sinto frustrada e em momento algum achei que o Álvaro tenha tomado a decisão errada. Era pra ser assim e foi. Até mesmo a euforia, a ansiedade para fazer a cirurgia passou... Sei lá, coisas da cabeça e do coração. 

Tive alta na quarta-feira (30/03/2004) pela manhã e fui pra minha casa em Santos. A recuperação foi muito lenta, foi um corte muito grande (23 cm) no sentido longitudinal. Vai desde o meio dos meus seios até o umbigo. Mesmo depois de 30 dias da cirurgia, ainda me sentia bastante debilitada e com algumas dores na cicatriz. Retirei os pontos no dia 22/04/2004. O médico disse que seria mesmo uma recuperação lenta e um pouco dolorosa, mas eu não reclamei, estou viva e isso é que importa! 

Apesar de o médico me garantir que a cirurgia que eu fiz é mais dolorosa no pós-operatório que a de estômago, todas as correntes e emanações positivas me ajudaram e durante os primeiros dias senti poucas dores. 

Não farei a cirurgia do estômago. A missão foi cumprida. Tinha que localizar o cisto e isso foi feito. Não é bom teimar com o destino e desafiar as mensagens recebemos. Estou bem e agradeço a Deus e todos que me olharam e ajudaram.

(Continua...)

É isso aí!  


Gisele Esteves Prado