

Trabalhava duro, como
qualquer um de nós. Todas as férias ele nos levava pra algum lugar: íamos à Praia Grande, acampávamos,
visitávamos parentes distantes em cidades do interior de São Paulo, ríamos,
chorávamos, nos divertíamos, às vezes passávamos nervoso. Mas qual vida não é
assim?

Tenho lembranças de ele
chegar cansado do trabalho e me levar pra ver a lua no quintal - sempre adorei olhar pra lua e pedia pra ele me mostrar - sempre que olho a lua sei que estou olhando pra ele.
Lembro também de ele trazes nossos chocolates favoritos. O meu era o Laka. Comi tanto na infância que acho que enjoei... lembro de ele me chamar de toquinho...

Ele é bem o leonino típico:
gosta de ser o centro das atenções, gosta de todo mundo olhando pra ele,
falando com ele. Em casa ele nunca foi muito de falar. Gosta de ficar quieto no
canto dele no sofá, com o cigarro dele e a TV ligada no esporte. Nem tente
ligar pra ele se quiser bater papo. Ele encerra a conversa em menos de um
minuto.
Desde que minha mãe morreu, em dezembro de 2002, as coisas ficaram bastante complicadas. No dia do enterro dela meu pai não quis voltar pra casa dele. Ficou na minha casa. Morou comigo durante um ano.

Meu pai estava diabético
havia um ano quando minha mãe se foi. Ela cuidava da alimentação dele de forma
primorosa. Não deixava ele comer nada que não pudesse, arrumava lanchinhos para
ele comer durante o dia no serviço, fazia jantar todos os dias na mesma hora;
enfim, levavam uma vida totalmente regrada. Dormiam cedo e acordavam muito cedo
também. A vidinha deles era um exemplo de vida regrada... totalmente diferente
da minha.
Durante este ano que meu
pai esteve em casa eu tentei ser a minha mãe. Me esforçava ao máximo pra ele
ter jantar todos os dias na mesma hora, vinha correndo da escola que eu dava
aula pra fazer o jantar, fazia os lanchinhos pra ele levar no serviço todos os
dias, comprava apenas as comidas que ele podia comer, levava ele a médicos
regularmente, mantinha sua roupa sempre em ordem como ela fazia, levava ele pra
passear regularmente em todos os lugares que eu ia, mantinha suas contas pagas,
não atrasava seu plano de saúde por nada, levava ele a uma médica particular,
comprava a insulina mais cara que tinha pra ele se cuidar... Mas eu não era a dona Conceição e nem deveria ter tentado ser...
Acontece que a tristeza
que estava em meu coração não diminuía, não tinha jeito. Eu estava sufocada,
cansada, triste e cheia de dívidas por conta de minha loja que fechei quando
minha mãe morreu.
Não fosse o Álvaro eu teria enlouquecido, adoecido. Ele foi meu
porto seguro, meu amigo, meu homem... ele foi e é tudo pra mim!
Minha mãe era o que ela
sempre quis ser na minha vida: a minha melhor amiga. E olha que este foi um
posto que ela conquistou, porque durante minha adolescência eu não queria nem
pensar em ter minha mãe como minha melhor amiga.
Mas depois que eu casei
foi assim. Ela era unha e carne comigo. Todos os lugares onde eu fosse tinha
que levar minha mãe. Ainda bem que o Álvaro amava a sogra como se fosse mãe
dele também. E ela era. Com certeza!

Minha mãe fazia tudo comigo e eu com ela. As compras da minha loja
sempre eram compartilhadas com ela, as festas de amigos ela ia comigo, viagens,
passava a tarde em casa papeando, fofocando, aconselhando.
Sabe o que começou tocar
agora? Fascinação. Umas das músicas que aprendi a gostar com ela. Não pude
deixar de chorar. Uma pausa para a saudade...
Continua...
Gisele querida... sem palavras... aguardando a continuação e esperando que essas palavras estejam conseguindo equilibrar um pouco os sentimentos aí dentro de você... Mesmo longe, mesmo não sendo tão próxima, meu coração se aproxima do seu e espera te ver mais feliz! Beijos Linda...
ResponderExcluirOi Gi!!!!
ResponderExcluirEstou tão emocionada com o seu post, você não idéia do quanto!
Minha mãe ainda está comido e eu nem consigo imaginar o quanto dói essa dor...
Nem sei o que dizer na verdade.
Apenas: Fique bem, da melhor maneira possível!!!
Beijão!
As palavras dos amigos me fortalecem! Obrigada!
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